Compradores desconhecem processos para aquisição de imóvel

Na corrida pela realização do sonho da casa própria, muitas vezes, as pessoas acabam deixando de lado importantes detalhes que envolvem o processo de compra. Em alguns casos, o comprador possui pouco ou nenhum conhecimento das etapas necessárias para o fechamento de uma negociação imobiliária. Sem preparação, os aportes financeiros que são necessários ao longo do processo acabam pesando demais no bolso do consumidor que, em alguns casos, acaba desistindo da compra e elevando os índices negativos do mercado. Por isso, é importante planejar a compra e contar com a opinião de profissionais especializados.

De acordo com o coordenador de vendas e marketing da AP Ponto Construtora, Tadeu Costa, esse tipo de situação é recorrente nas negociações de empreendimentos. “As pessoas normalmente desconhecem grande parte do processo e acabam se assustando quando é preciso pagar taxas e encargo, por exemplo. Para diminuir as taxas de distrato, oferecemos um treinamento direcionado, reforçando com os consultores de vendas a importância de explicar tudo claramente ao cliente no momento da negociação, evitando cancelamentos de contrato no futuro”, explica.

Com foco principal no segmento “Minha Casa Minha Vida”, a construtora vê esse desconhecimento partir, especialmente, dos jovens e daqueles que estão comprando o primeiro imóvel. “Para muitos é a primeira grande compra da vida e acabam indo pelo impulso de sair logo do aluguel, sem fazer o planejamento adequado, pesquisar sobre o assunto e tirar todas as dúvidas com o consultor de vendas. O comprador devidamente esclarecido contribui para que o processo seja mais rápido e eficiente, além de ter mais confiança na sua decisão”, completa Tadeu.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas ao consumidor é o que realmente está incluso na entrega do imóvel na planta. Tendo como base as imagens de divulgação do empreendimento e a visita ao apartamento decorado, muitos consumidores criam expectativas que não se cumprem no momento da entrega das chaves, gerando desconforto na etapa final do processo. “É preciso apresentar quais serão os acabamentos do apartamento e também o que está ou não incluso nas áreas de uso comum. O corretor tem essa função de orientar e o cliente também precisa esclarecer todas as suas dúvidas e saber o que realmente está sendo pago, o que muitas vezes não acontece”, reforça Costa.

Com objetivo de simplificar e orientar os consumidores, a AP Ponto conta uma web série com vídeos explicativos que apresentam os detalhes sobre o processo de compra. “A nossa missão é descomplicar o sonho da casa própria de nossos clientes. Por isso, buscamos e investimos em iniciativas que valorizem e que facilitem o entendimento das principais etapas do processo de compra de qualquer empreendimento”, finaliza.

Sobre a AP Ponto

A AP Ponto é uma construtora e incorporadora que atua no segmento médio da construção civil, principalmente em empreendimentos do padrão “Minha Casa, Minha Vida”. A missão da empresa é descomplicar o sonho da casa própria.

11 dicas para que o sonho da casa própria não vire um pesadelo

A empolgação natural durante a busca pela realização do sonho da casa própria faz com que muitas vezes as famílias não se atentem para detalhes essenciais e que se não forem observados podem fazer deste sonho um grande pesadelo. À frente de um dos mais renomados escritórios de arquitetura do Brasil, a Norden^ Arquitetura, Paulo Renato Alves que já acumula 20 anos de experiência em vários tipos de projetos dá dicas simples, mas pontuais na hora de escolher um imóvel que realmente proporcione conforto e segurança para sua família. Confira algumas dessas orientações que podem fazer toda a diferença na hora de comprar ou até mesmo alugar.

  1. Fachada. A fachada de um prédio, segundo o arquiteto e urbanista, é como se fosse uma roupa que alguém usa, mas diferente de uma roupa que pode ser trocada a cada estação, no caso de um edifício é bom sempre fugir do modismo, evitando, por exemplo, cores da moda ou muito fortes, pois isso, segundo ele, faz com que esse visual externo enjoe rapidamente, gerando até mesmo uma desvalorização do imóvel. “O ideal é sempre procurar uma fachada com um estilo atemporal e que não exija tanta manutenção. Como por exemplo, prédios que estão em áreas de franca expansão imobiliária onde há uma incidência muita grande ainda de terra e poeira, os edifícios com fachadas com cores brancas devem ser evitados, pois irá se exigir uma repintura a cada dois anos. Fachadas com cores muito escuras também não são interessantes, além de promover o aumento da temperatura interna do imóvel, o pigmento dessas tintas se desbota muito rapidamente”, explica Paulo Renato. Portanto, seguindo a orientação de quem sabe, no que tange à economia, o melhor é optar por uma fachada mais durável; e no quesito de estético, o ideal é escolher as fachadas mais neutras ou num estilo atemporal. “Uma fachada atemporal é aquela em que com certeza daqui a 20 anos ainda estará moderna, não sai de moda”, diz o arquiteto.Em relação às casas, as dicas de Paulo Renato são basicamente as mesmas. “Casas por exemplo que têm muito uso de vidro podem até passar um ar de modernidade, porém exigem muita manutenção, dando muito trabalho e gastos. Então o ideal é fazer uma mescla entre o que é bonito e o viável, sem exageros”, frisa o profissional.
  2. Janelas e varandas. Paulo Renato explica que as janelas promovem, além da iluminação, a ventilação do ambiente. Por isso esses itens devem estar localizados em posições da casa por onde passe uma grande quantidade de luz, gerando assim uma significativa economia com energia, já que não será preciso usar luz elétrica durante o dia. “O que se vê muito, quando o imóvel não é planejado por um profissional com a devida competência técnica, são casas ou apartamentos com janelas muito pequenas, menores até do que as dimensões recomendadas, ou então janelas que dão para uma varanda, ai então temos aquele ambiente enclausurado. Portanto, escolher um imóvel que favorece o uso da iluminação natural e de ventilação natural reflete muito no bolso do morador”, diz Paulo Renato. Outro aspecto interessante a ser observado nas janelas, explica o arquiteto, é que a entrada de mais luz solar ajuda a combater bactérias. “Ambientes muito escuros e com pouca ventilação são muito insalubres, e favorecem a proliferação de fungos e bactérias nocivos a nossa saúde”, destaca.
  3. Quartos. Quanto aos quartos, a dica do especialista é ficar atento ao layout, principalmente os que têm suíte. Paulo Renato explica que o ideal é que nesse ambiente se consiga colocar todos os móveis que ele precisa e ao mesmo tempo haja uma circulação fácil, em que a pessoa precise se movimentar pouco. “As vezes você até tem um quarto grande, mas se uma janela ou o acesso à suíte forem colocados no local errado, perde-se muito espaço que poderia ser usado para o mobiliário. Ai você é obrigado a colocar um móvel quase que no meio do quarto ou juntar tudo do lado de uma parede só. Em geral plantas que geram menos circulação são mais eficientes”, orienta o arquiteto. Ainda sobre o layout do quarto, o arquiteto faz um alerta: evitar camas próximas às janelas, especialmente em residências onde irão morar crianças. Se não tiver como mudar a mobília, o correto é o uso de uma grade ou uma rede de segurança. Outra orientação importante feita pelo arquiteto é sobre o posicionamento dessas janelas. Paulo Renato explica que o ideal é que as janelas desses ambientes fiquem viradas para o sol nascente, ao invés do sol poente que traz um calor mais intenso, ocasionando assim um efeito estufa, ou seja, o local estará muito quente e abafado à noite, quando as pessoas efetivamente usam o quarto.“No caso do sol da manhã, ele aquece o quarto, elimina muitas bactérias e ao longo do dia o ambiente irá esfriar, já que não receberá esse sol mais forte da tarde, deixando o quarto com uma temperatura mais amena evitando o uso contínuo do ar condicionado”, completa o arquiteto.
  4. Garagens. As garagens, especialmente nos edifícios, são motivo de muitas dores de cabeça para quem, na hora da compra do imóvel, não observou pequenos detalhes que fazem muita diferença. Por isso Paulo Renato esclarece que as garagens dos prédios têm tamanhos padrões. No caso de Goiânia, de acordo com a lei municipal vigente, o mínimo é 2,40 m de largura por 4,80 de profundidade. As vagas extras, aquelas que são feitas além do exigido, podem ser um pouco menores, tendo um mínimo de 2,30 m por 4,60 m. O arquiteto lembra que, desde 2008, empreendimentos em Goiânia são obrigados a oferecer, em pelo menos 20% de suas unidades, garagens com uma metragem maior, com 2,50 m por 5,50 m, que é para uso de caminhonetes e utilitários maiores. “Portanto, na hora escolher um imóvel num prédio a pessoa deve se atentar para essas medidas”, pontua Paulo Renato. Mas o especialista ressalta que essas regras são válidas para empreendimentos novos (projetados de 2008 pra cá). Em prédios mais antigos isso pode variar, não só as medidas, mas também outros aspectos como pilares invadindo vagas, o que em alguns prédios que foram construídos há mais tempo é permitido. “Hoje, nos novos empreendimentos isso é proibido. Então é muito importante saber o ano da aprovação do projeto e averiguar na legislação quais eram as medidas e normas técnicas vigentes na época”, informa Paulo Renato. Em relação à localização da vaga de garagem, a dica do especialista é evitar os espaços colados à paredes, ou com pilares grandes perto ou com o pilar muito perto do começo da vaga, o que dificulta as manobras.
  5. Área de lazer. Paulo Renato lembra que em Goiânia, especialmente no ano de 2010, viveu-se um momento recente com a construção de muitos condomínios clubes, com vários itens de lazer. Ele explica que esse é um aspecto que pode realmente trazer muita valorização ao imóvel, mas é preciso ter também muito cuidado com o excesso, observar o que realmente será usado, e principalmente, averiguar o que é viável financeiramente. “Muitos desses equipamentos de lazer como sauna, várias salas de jogos, muitos tipos de quadra, fontes luminosas, floreiras e outros itens exigem constante manutenção e isso eleva em muito a taxa de condomínio. Portanto, se o preço do condomínio é um problema, preferia aqueles residenciais que têm uma estrutura de lazer mais enxuta, com uma piscina, uma academia, um playground (ou brinquedoteca) e salão de festas”, aconselha.
  6. Cozinha americana. A cozinha americana é um modelo de ambiente muito comum nas casas e apartamentos nos dias de hoje. Mas ainda assim muita gente fica em dúvida se esse tipo de opção é vantajosa ou não. O arquiteto avalia o uso da cozinha americana com uma característica interessante para o imóvel, pois possibilita aquela sensação de amplitude de espaço. Mas ele também levanta um problema prático que de fato incomoda muita gente, a gordura que sobe com o preparo dos alimentos. “Uma sugestão é deixar o fogão na parede oposta à divisa com a sala, tendo em vista que nenhum exaustor é capaz de absorver toda essa gordura e fumaça que se dá no preparo dos alimentos. Outra alternativa é fazer as divisórias com painéis e fechá-las na hora do preparo dos alimentos”, sugere o arquiteto.
  7. Banheiros. Uma coisa que pode parecer sem importância, mas que as pessoas devem ficar atentas, seja em casas ou em apartamentos, é para a posição da janela ou do basculante do banheiro. “O ideal é que essas janelas fiquem do lado do box ou bem perto do chuveiro. Isso porque o chuveiro é o principal ponto de umidade desse ambiente. Se essa janela ou basculante está longe do chuveiro ou do box, há grandes chances de surgir mofo no banheiro, pois essas aberturas têm como uma de suas funções eliminar o vapor d’água e com isso o excesso de umidade”, explica.
  8. Condições estruturais do imóvel. Buscar a orientação de um profissional devidamente habilitado, como um arquiteto ou engenheiro para acompanhar a vistoria do imóvel. Essa é outra dica fundamental para quem está procurando uma casa ou apartamento. “Existem defeitos que são bem visíveis, como rachaduras ou infiltrações, mas existem vários outros problemas ocultos, que são percebidos somente na avaliação de alguém que tenha o devido conhecimento técnico”, ressalta Paulo Renato Alves. Um dos problemas que podem ser percebidos numa vistoria feita por quem tem o devido conhecimento técnico é, por exemplo, o caimento correto de um piso. “Muitas vezes quem está comprando ou alugando um imóvel, seja casa ou apartamento, vê o chão com um piso novo, bonito e tudo mais, mas só depois que a pessoa já se mudou, é que ela percebe que na hora de usar o banheiro ou lavar a cozinha a água corre para o lado oposto ao ralo ou acumula num canto, formando poças d´água, uma coisa que no seu dia a dia vai dar muito trabalho”, diz o arquiteto. Paulo Renato esclarece que no caso de imóveis novos, as construtoras sérias do mercado voltam ao imóvel depois da obra entregue, garantindo que esses tipos de problemas sejam solucionados, uma vez que este compromisso é determinado por lei. Mas quando se compra de um imóvel de terceiro resolver essas questões fica muito mais difícil, pois o ex-dono pode querer alegar que não havia o problema e muitas vezes a questão vai se resolver somente na Justiça. “Para evitar esse tipo de dor de cabeça a minha dica é contratar uma profissional devidamente habilitado para acompanhar a vistoria do imóvel”, afirma Paulo Renato.
  9. Instalações. Uma boa dica do arquiteto para quem está procurando um imóvel usado diz respeito às instalações elétricas e hidráulicas. Nesse caso, mais uma vez é necessária a ajuda de um profissional especializado para uma avaliação. No caso da instalação elétrica, Paulo Renato explica que os componentes que a integram (fios, interruptores, tubulações, disjuntores e outros itens) têm prazos de validade que variam de acordo com o fabricante e seu uso. Segundo ele, em imóveis mais antigos, com mais de 20 anos, a atenção precisa ser ainda maior. “Hoje a quantidade de eletrodomésticos e eletroeletrônicos que temos em casa é bem maior do que há duas décadas. Antigamente, a grande maioria das casas tinha uma ou duas TVs, um chuveiro, uma geladeira bem simples, uma máquina de levar e as vezes um micro-ondas. Hoje não. São muitos os itens que dependem da eletricidade para funcionar e muitas vezes todos são usados quase que simultaneamente. Portanto, os imóveis antigos não estavam preparados para isso. As mesma coisa acontece a com a rede hidráulica que também tem uma vida útil”, esclarece Paulo Renato.
  10. Armadilhas. Já para quem procura um imóvel na planta, o arquiteto Paulo Renato alerta para algumas armadilhas do mercado. Ele explica que algumas vezes as plantas baixas do imóvel, principalmente aquelas que estão nos folders de propaganda, não condizem com o que realmente será o imóvel. “As vezes usa-se medidas dos móveis que não são padrões, para ter-se a impressão de que o quarto ou sala seja grande e caiba tudo que precisa. Mas é preciso comparar o tamanho do ambiente que é oferecido com a metragem dos móveis que você pretende usar. Uma cama de solteiro, por exemplo, tem uma metragem média de 2,00m X 0,90m e as vezes você visita um decorado e usam uma cama com uma medida menor. Essas coisas são raras de ocorrer, mas infelizmente as vezes ocorrem”, alerta o arquiteto.
  11. Liquidez. Paulo Renato lembra que um imóvel na grande maioria das vezes representa mais da metade do patrimônio de uma pessoa, ou muitas vezes é o único patrimônio, por isso é importante preocupar-se com a liquidez que ele irá gerar. Ou seja, o quanto ele poderá valorizar e se será fácil ou não revendê-lo. “A grande maioria das pessoas quando compra um imóvel acha que vai viver naquele lugar por toda a vida, mas isso dificilmente acontece. Por algum motivo ou outro você pode precisar se desfazer desse imóvel, seja porque a família encolheu com a saída dos filhos, ou porque você conseguiu um trabalho muito fora de mão, enfim, são vários os motivos. Sendo assim, evite personalizar muito o imóvel, adotando coisas que muitas vezes só você gosta. Isso na hora de revender a casa ou o apartamento pode atrapalhar ou te obrigar a refazer o projeto original”, diz o arquiteto.

 

SEGS – Portal Nacional de Seguros

Lotes urbanizados são bom investimento

Lotes urbanizados são um bom invesimento.Os loteamentos urbanos continuam a ter boa receptividade dos consumidores, basicamente, por dois fatores: Os lotes urbanizados não são financiados pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e acabam sendo comercializados diretamente pelos incorporadores de lotes. Esse diferencial, se é que podemos chamar assim, permite aos compradores uma menor influência da restrição de crédito e da elevação das taxas juros.

Mesmo em meio à crise macroeconômica do País e da queda da confiança por causa da inflação e do baixo crescimento, a demanda por lotes urbanizados permanece aquecida. Além disso, a melhoria na qualidade dos projetos tem atraído os olhares de consumidores atentos às boas oportunidades de mercado.

Por não depender de crédito imobiliário, o mercado de loteamentos, abertos ou com controle de acesso, difere-se do segmento de incorporação de unidades construídas. Esse descolamento entre ambos faz com que haja diferenças consideráveis em volume de lançamentos.

Outra peculiaridade do setor de loteamentos é o seu longo ciclo de produção. Pode-se chegar a 24 meses para aprovar um projeto – obtenção de licenças ambientais, aprovações municipais e registro de imóveis.  Portanto, o segmento sofre menor influência da volatilidade dos dados macroeconômicos, sejam eles extremamente favoráveis ou negativos. Além disso, o lote urbanizado é visto como reserva de valor e atrai investidores, além daqueles que compram para construir a casa própria.

Os lotes urbanizados são um bom investimento por vários motivos. Os encargos desses ativos, por exemplo, não geram ônus muito elevados, pois normalmente resumem-se em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e, eventualmente, em taxas associativas, quando for loteamento com controle de acesso. E na medida em que os lotes são edificados, a lei de oferta e procura faz com que os preços evoluam, em alguns casos, de maneira superior a outras aplicações financeiras. Contudo, ao aplicar em lotes urbanizados como ativo financeiro deve-se ter atenção à sua liquidez, pois, como qualquer outro tipo de imóvel, a venda não é imediata e depende do comportamento do mercado local, além do humor da economia interna do País.

De qualquer forma, é importante o consumidor conhecer bem o mercado, a idoneidade das empresas que estão desenvolvendo os empreendimentos, e se as cidades onde estão os lotes têm economia diversificada e bom crescimento.

Ressalto, porém, que esse panorama traçado até agora não significa que o setor não enfrente nenhum entrave. Os loteadores têm de cumprir marcos regulatórios complexos, suportar a interferência de órgãos municipais e estaduais e, quase sempre, assumir responsabilidades do poder público, como suprir a falta de investimentos das concessionárias de saneamento. Além de atender à obrigatoriedade de instalar toda a infraestrutura interna do lote para garantir o abastecimento de água potável e o tratamento de esgoto, o loteador tem de assumir a instalação de sistemas de adução e tratamento de água.

Outro grande obstáculo é a falta de linhas de financiamento de crédito imobiliário para produção e comercialização dos lotes. Por mais paradoxal que possa parecer, os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para financiar habitação não podem ser destinados à produção de terra urbanizada. O trabalhador não pode usar o dinheiro do Fundo para amortizar a dívida, ou parte dela, da compra de um lote. Quando consegue acessar os recursos da poupança, os bancos financiam parte do preço, normalmente 50%, com taxas de juros e encargos caros e que impedem o acesso da grande massa de compradores desse tipo de produto imobiliário.

Na prática, as empresas de loteamento financiam o consumidor com prazos superiores a oito anos (100 meses). Assim, o setor desvirtua seu papel fundamental de ofertar terra urbanizada. E a adoção desse comportamento pelos empresários é por absoluta necessidade de sobrevivência!

Caio Portugal é presidente da Aelo (Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano) e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Secovi-SP

Seis alternativas para financiar a compra da casa própria

Seis Opções Para Financiar A Compra Da Casa Própria Depois Das Mudanças Da CaixaDiante das alterações realizadas pela Caixa para a contratação de financiamento imobiliário, a compra do imóvel ficou mais complicada para aqueles que pretendem adquirir uma moradia. A AMSPA – Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências acaba de listar seis alternativas para financiar a compra da casa própria driblando a alta dos juros e conseguir juntar dinheiro para dar uma boa entrada na propriedade.

​Nesse momento, de cenário econômico ruim, é mais do que fundamental ao futuro comprador ter precaução antes de adquirir financiamento.

O sonho da casa própria para muitos dos brasileiros ficou mais distante. Isso se deve às mudanças feitas recentemente, pela Caixa Econômica Federal, que aumentou os juros, entre 8,80% e 9,45%, e reduziu o percentual máximo para financiar imóvel pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), de 80% para 50%, e pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), de 70% para 40%. Outra mudança foi à diminuição do valor máximo para financiar imóvel com recursos do FGTS dentro do programa Pró-Cotista (destinado a quem ganha acima de R$ 5 mil), que caiu de R$ 750 mil para R$ 400 mil.

Como opção para aqueles que pretendem contratar o crédito habitacional, a AMSPA elaborou um guia com seis sugestões para o consumidor fazer um fundo de reserva com o objetivo de dar uma boa entrada ao fechar o negócio, como também tentar escapar do aumento de juros. Confira a seguir:

  1. Consórcio: A modalidade é uma das opções para financiar a casa própria. As vantagens dessa alternativa de empréstimo são: os juros baixos; a possibilidade de usar o FGTS para dar lances e receber a carta de crédito rapidamente; o prazo para a liberação, que varia entre 60 a 180 meses, é menor se comparado a outros financiamentos que chegam a 35 anos. No entanto, quem escolher essa opção não pode ter pressa para mudar, pois tanto pode ser o primeiro a ser contemplado como o último. As taxas de administração, adesão e os seguros, que podem comprometer até 20% as prestações, são outro problema. Além disso, corre-se o risco de o valor não ser suficiente para aquisição do bem pretendido, quando da liberação da carta de crédito.
  2. Financiamento direto com a construtora: Essa alternativa de crédito é indicada para quem quer adquirir o bem no valor acima de R$ 500 mil e pretende quitar as parcelas em pouco tempo. A vantagem dessa escolha é dar uma entrada menor do que no empréstimo com banco e ter a facilidade de negociação com o incorporador. Também inclui a menor rigidez para conseguir a concessão do financiamento e, no caso da impossibilidade de cumprir o contrato, há a alternativa de se fazer um acordo. O problema dessa escolha está, mais uma vez, na cobrança dos juros, de 12% ao ano mais o IGPM – Índice Geral de Preços-Mercado, após receber as chaves, que leva ao aumento considerável do preço final. Por isso, é aconselhável quitar em torno de 30% o valor do imóvel na entrega das chaves. Se puder pagar tudo é melhor ainda.
  3. Cotação em bancos privados: A possibilidade de financiar o imóvel com instituições privadas pode ser uma boa alternativa, pois o valor de entrada é menor do que tomar empréstimo com a Caixa. Além disso, o consumidor, que tem um bom relacionamento com o banco e até mesmo recebe seu salário pela instituição, pode conseguir juros menores. Mas atenção! Financiar com o banco que você tem conta não significa que a taxa de juros será menor do que com o banco estatal. Mas antes de fazer a escolha, é indicado pedir para todas as financeiras, além da qual você possui conta, o CET – Custo Efetivo Total que vai mostrar todas as parcelas do financiamento, incluindo as taxas extras e os seguros que compõem a prestação. Com isso, você poderá comparar qual instituição oferece a melhor proposta para tomar empréstimo.
  4. Fundo de reserva: Junte dinheiro para dar uma boa entrada, com o uso do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e o dinheiro guardado na poupança ou em outras aplicações. Nessa etapa também é importante que o futuro mutuário reúna a família, reveja seu orçamento e estabeleça um percentual do rendimento que vai poupar todo mês. Além de dar um sinal considerável para a compra do bem, o dinheiro guardado será fundamental para o consumidor ter maior poder de barganha para fechar um contrato mais vantajoso. Entre as vantagens estão: ter um bom desconto no preço do imóvel, pois as construtoras estão querendo desovar suas unidades em estoque, e negociar melhores taxas de juros.
  5. Composição de renda: A junção de rendas entre marido e esposa, ou outra pessoa com quem tenha um bom vínculo, é uma boa alternativa para usar o FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço dos participantes e dar uma boa entrada na aquisição do imóvel. No entanto, é preciso ficar atento quanto à taxa de juros, pois o percentual cobrado será baseado sobre a maior renda de quem faz parte da composição do financiamento. Outro cuidado é negociar com a pessoa, que vai compor a renda, se vai arcar também com as parcelas do financiamento e não apenas servir para comprovar o rendimento.
  6. Minha Casa, Minha Vida: O programa habitacional popular do governo é mais uma opção para aqueles que pretendem adquirir uma moradia. O benefício dessa modalidade são as taxas de juros menores, que vão de 5% a 7,16%, e dar uma entrada a partir de 10%. Para conseguir o empréstimo, o futuro mutuário deve ter renda entre R$ 1.600 a R$ 5 mil e adquirir imóvel com o teto máximo de R$ 190 mil. Diante de uma economia cheia de incertezas, é válido escolher uma propriedade menor que caiba no seu bolso e depois, quando a renda da família estiver melhor, aí sim, o adquirente comprar a casa própria desejada.

 

Para Marco Aurélio Luz, presidente da AMSPA, “nesse momento, de cenário econômico ruim, é mais do que fundamental ao futuro comprador ter precaução. É aconselhável reunir a família e colocar as contas na ponta do lápis para saber se realmente pode assumir o compromisso de longo prazo com as prestações da moradia. Mas, se o consumidor constatar que as parcelas do financiamento vão comprometer mais do que 30% do orçamento familiar e perceber ainda que não tem estabilidade no emprego, recomendo aguardar um momento melhor para realizar o sonho da casa própria”, aconselha.

Os mutuários que querem mais esclarecimentos podem recorrer à AMSPA. Os interessados podem entrar em contato pelos telefones 0800 77 79 230 (para mutuários fora de São Paulo), (11) 3292-9230 / 3242-4334 (sede Sé), (11) 2095-9090 (Tatuapé), (11) 3019-1899 (Faria Lima), (19) 3236-0566 (Campinas) e (13) 3252-1665 (Santos).